Sexo, orientação e identidade de gênero: a diversidade de ser humano

O corpo e a mente humana são um mar de possibilidades, e há uma diversidade de dimensões que compõem nosso ser, nossa sexualidade e nossos afetos.

Em passos lentos, as pessoas que não se adequam à visão binária das normas de gênero tem conseguido se expressar melhor sobre isso. Por muito tempo, o gênero era exclusivamente associado ao sexo biológico, mas hoje essa visão vem sendo quebrada. Existe hoje um entendimento mais claro de alguns conceitos, e é sobre eles que falaremos nesse papo.

Sexo biológico: um bom padrão?

Vamos começar pelo conceito que é tomado por base (e como o limitado argumento dos conservadores) ao discutir esses aspectos: o sexo biológico. Esta premissa se refere às características biológicas e genéticas com a qual uma pessoa nasce, e que podem ser mensuradas de alguma forma.

Os órgãos, gametas e cromossomos identificam um indivíduo como macho ou fêmea. Há também a nuance do indivíduo intersexual, que possui características mistas dos dois sexos. A nomenclatura “hermafrodita” já foi usada como definição, mas a Biologia e a Medicina não aplicam mais o termo há um tempo.

Para o ser humano, o conceito binário define, pelas características do nascimento, o gênero do macho como homem e o da fêmea como mulher. Mas sabe-se que há pessoas que discordam dessa atribuição, por não se identificar com aquele corpo. E certamente, esse é um dos pontos que mais gera dúvida e polêmica nessa história.

Identidade de gênero: quebrando conceitos

Quando se trata de identidade de gênero, nos referimos à forma como a pessoa se identifica em relação ao seu corpo e aos padrões sociais de gênero. Ela é, além de uma percepção pessoal, um autorreconhecimento, pois diz respeito à visão do indivíduo sobre si próprio e é algo não lhe pode ser imposta.

Ao contrário do que é ditado na norma binária, a pessoa pode se identificar com a atribuição de gênero que lhe é dada no nascimento (cisgênero) ou estar em desacordo com ela (transgênero). Há também quem não se identifique com nenhum dos dois gêneros ou mesmo com os dois (espectros tratados com o termo guarda-chuva não-binário).

Vale ressaltar que ainda há a nuance do papel ou expressão de gênero, que diz respeito ao modo como a pessoa expressa seu gênero no dia-a-dia. É outra quebra de tabus, que desassocia coisas e comportamentos dos padrões de gênero comuns na sociedade (como por exemplo, ver o uso de maquiagem como coisa de mulher ou o cabelo raspado como coisa de homem).

Orientação afetiva-sexual: sentimento e atração física

Ainda nas nuances de gênero e sexualidade, não podemos deixar de lado a orientação sexual e afetiva. Esse termo diz respeito à atração física e ao modo como os relacionamentos afetivos são tratados por nós, com base no gênero com o qual as pessoas envolvidas nessas relações se identificam.

As principais personagens das variações de orientações são os heterossexuais (que tem atração pelo gênero oposto), homossexuais (atraídos pelo mesmo gênero), bissexuais (com atração por ambos os gêneros), assexuais (que não tem atração por nenhum gênero) e panssexuais (cuja atração não considera o sexo ou gênero das pessoas).

E mais uma vez, ao se falar de orientação, precisamos nos ater ao gênero, e não ao sexo biológico. Não se pode dizer, por exemplo, que um homem que fica com uma mulher trans é gay. Mesmo tendo nascido como homem, ela se identifica, se expressa e se vê como mulher – o que faz da relação dos dois heterossexual.

Parece confuso né, mig@? É por isso mesmo que falar disso tudo e descomplicar essas questões é importante. Você pode e deve se aprofundar mais, se achar que o que leu aqui não foi suficiente ou se tiver mais interesse no assunto.

O que a gente quer provocar é a reflexão de que o gênero não passa de uma construção social. A liberdade de ser quem se é deve ser estimulada e respeitada por todos nós. E à medida em que entendemos mais sobre isso, as portas para um mundo mais compreensivo e diverso se abrem.

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