Consciência negra: um assunto muito além da cor da pele

Ter consciência do que é ser negro é se libertar de um cativeiro social. Aprenda conosco a importância da consciência negra!

Entre todos os países do mundo, o Brasil tem a maior população negra fora da África. 54% de nós somos negras e negros. Mas em nossa história, os negros sempre foram oprimidos diante da supremacia branca. Mesmo a abolição da escravatura, que aconteceu há 130 anos, não foi suficiente para reparar esse cenário.

Ainda são raros os casos de pessoas negras que alcançam uma posição de sucesso. São poucas as representações na mídia que não associam negros ao trabalho braçal ou que não exige qualificação. Pouquíssimas empresas valorizam a beleza negra, e a tratam como um padrão.

A pessoa negra continua marginalizada na sociedade. E isso quando não ela é vista como marginal mesmo. O preconceito enraizado e falta de representatividade muitas vezes afeta a autoestima e a segurança dos negros quanto ao seu lugar na sociedade.

O que é a consciência negra e por que ela importa?

Qual a probabilidade de nos depararmos com um médico negro numa consulta? De entrarmos numa empresa e descobrir que seu chefe será negro? De entrarmos num avião pilotado por um negro?

Não encontrar alguém como você em posições como essas, tidas como respeitosas, já são prova que a questão racial está presente – é o que chamamos de racismo estrutural. Fora a quantidade de injúrias e ofensas com raiz na cor da pele.

Essas coisas, aparentemente simples, que constroem uma consciência de que o negro não tem o mesmo lugar que o branco na sociedade. E é por essa razão que exercer a consciência negra se faz tão importante.

A consciência negra mostra que perceber-se negro vai além da cor. Ela mostra a necessidade de se libertar das amarras que a sociedade impõe e encontrar uma identidade própria. De se unir com outras pessoas em favor dessa causa. De se libertar gradativamente das correntes invisíveis que ainda aprisionam a negritude.

Como a consciência negra afeta LGBTs e mulheres pretas?

A consciência negra é ainda mais essencial quando se é mulher ou LGBT. Nós falamos a respeito disso há algum tempinho, mas vale relembrar que mulheres e LGBTs são minorias sociais, e passam por opressão e perseguições cotidianamente. E o fator raça agrava ainda mais esse cenário.

As LGBTs, que já tem seus corpos e existências negadas em muitos espaços (especialmente quando estão fora dos padrões) sofrem ainda mais com o ser negro. O preconceito dentro da própria comunidade é latente. A LGBT negra não é desejada para além do sexo. A invisibilização de pessoas bi e trans só aumenta com a questão racial.

A maior parte das mães solteiras no Brasil são negras. A mulher negra ainda não é vista como padrão de beleza. A imagem da mulata perfeita, que mostra o corpo no Carnaval ainda é fetiche, e afasta a mulher negra do que se vê como ideal para uma relação estável, diminuindo seus sentimentos a pó. Ela é solitária numa luta imensa por respeito e lugar de fala.

Mas não somos todos humanos? Por que não existe um dia da consciência branca?

Sim, somos todas humanas. Mas a condição humana que todas temos evita as situações acima de acontecerem? Esse discurso, na prática, resolve as diferenças sociais por questões raciais? E falando sério: dia da consciência branca? Alguém precisa mesmo se conscientizar do privilégio social que a pigmentação de pele traz?

A responsabilidade sobre o racismo é de quem o comete e o alimenta. Racismo não é vitimismo ou mimimi. Ser negro é estar em um lugar de opressão, e quem não está neste lugar (independente de cor de pele ou de ancestralidade) precisa se esforçar e desenvolver a empatia por quem passa por isso.

Se mesmo lendo isso tudo, você realmente acredita na necessidade de um momento para desenvolver uma consciência branca, vai lá! Te provocamos a pensar nisso. Talvez você realmente precise comparar sua realidade à de uma pessoa negra para perceber do que a consciência negra se trata de verdade.

Citando a maravilhosa bixa preta travesti Linn da Quebrada, a pele preta é um manto de coragem. Pessoas negras são muito mais que sua cor. Ser preto é luta, é resistência, é sonho, é força. Ser preto é sobrevivência!

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