Sobre o bloco

Bloco Garotas Solteiras

Uma conversa entre amigos em dezembro de 2015 gerou uma ideia nova: criar um bloco que tocasse música pop em ritmo carnavalesco. Semanas depois, na segunda-feira do Carnaval seguinte, o Bloco Garotas Solteiras saía às ruas pela primeira vez.

O nome é uma tradução livre do título de uma das músicas mais icônicas da diva pop Beyoncé, “Single Ladies (Put A Ring On It) ”. Com referências estéticas e musicais da cantora, o Garotas Solteiras se desenvolveu, incorporando um repertório de músicas que vão do pop internacional ao funk brasileiro, das divas recém-chegadas às já consagradas.

Desde o primeiro ensaio, ainda naquele dezembro, com apenas vinte foliões na praça da Escola de Arquitetura da UFMG, o Garotas cresceu e se tornou um dos blocos mais populares de BH. Levantando as causas LGBTQ e feminista, o bloco se firmou como um espaço de respeito, liberdade e representação em meio à folia belorizontina.

A cada ano, o cortejo de Carnaval do Garotas Solteiras tem uma diva pop homenageada e um tema específico. A primeira homenagem foi à intérprete da canção que nomeou o bloco, com o tema “Liberté, Egalité, Beyoncé”. Em seu ano de estreia, 15 mil pessoas foram às ruas acompanhar o bloco pelas ruas do Baixo Lourdes.

Em junho de 2016, o Garotas Solteiras foi selecionado para participar da Virada Cultural de Belo Horizonte, e preparou um espetáculo de duas horas, com o tema “Pra Fazer Revolução“. O formato de apresentação em palco deu origem a uma versão banda, com a qual o Garotas passou a se apresentar em eventos e festas fora da época de Carnaval.

Para 2017, a diva pop escolhida para receber a homenagem foi Britney Spears, com o tema “Oops! Eu fiz de novo”. Mais de 50 mil acompanharam o desfile, que tomou lugar na Avenida Silviano Brandão, na zona leste de BH.

Após o carnaval de 2017, criou-se o movimento “Fecha a Santa”, organizado pelo coletivo Um Beijo No Seu Preconceito e pela Frente Autônoma LGBT, e que reúne os principais blocos apoiadores da causa LGBTQ da cidade (Alô Abacaxi, Corte Devassa, Garotas Solteiras e Angola Janga).

Além de um evento anual de encerramento do Carnaval (aos moldes do já tradicional “Vira o Santo”, que reúne todos os blocos da cidade), o Fecha a Santa também participou da Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte. O Garotas, junto aos demais blocos do movimento, esteve no trio elétrico.

Pensando em preparar melhor sua bateria (que é aberta e voluntária), o Garotas Solteiras começou a oferecer oficinas gratuitas e abertas de percussão a partir de agosto de 2017, em locais públicos de Belo Horizonte.

Em 2018, o bloco voltou à rua para seu terceiro Carnaval. Homenageando a drag queen e cantora Pabllo Vittar, o Garotas desceu a Avenida Olegário Maciel, embalados pelo tema “Indestrutível“. Mais de 80 mil pessoas acompanharam o cortejo e se divertiram na folia colorida e diversa do bloco.

Novas iniciativas também foram criadas nesse ano, especialmente para tentar estender o discurso do bloco para além das fronteiras do Carnaval. O bloco criou o comitê Diversifica Garotas, que organiza ações como rodas de conversa com mulheres e LGBTQs. Através disso, o bloco quer utilizar o espaço que conseguiu para promover o diálogo e dar voz às demandas dessas minorias.

E na mesma linha de raciocínio é que o Garotas Solteiras escolheu como diva homenageada a mother monster, Lady Gaga. Com o lema “Eu nasci assim“, o bloco propõe um cortejo com base no discurso de aceitação. Somos perfeitas aos olhos de Cher, e independente da origem ou daquilo que cada pessoa passa, faremos sempre do nosso Carnaval um espaço seguro para a criatividade, a liberdade de expressão e o respeito à individualidade.

Mais do que um bloco, o Garotas Solteiras enxerga ter uma responsabilidade com seu público. Nossa história de luta está só no começo. Venha com a gente mostrar que lacrar é um ato revolucionário!

HINO DO BLOCO GAROTAS SOLTEIRAS

(composição: Edu Ruas)

 

Garotas Solteiras somos todas nós
Chega mais perto pra ouvir a nossa voz
O nosso canto é luta, poder e diversão
Estamos preparadas pra fazer revolução

Quem foi que disse que a rua não é lugar de brilhar?
A gente ocupa, toma a frente, vem pra escandalizar
A gente chega na batida, vem com amor e respeito
E traz a luta por aquilo que é nosso por direito

E como é que a gente faz?

A rua é nosso palco, a gente bota pra ferver
Quando a gente tá junta a gente é quase a Beyoncé
O exército é pesado, coreô é do poder
Vem junto com Garotas, solte a diva em você!

Vem mina, bi e trans, sapatão e afeminada
No Garotas Solteiras “topamo” qualquer parada